O que trabalhadoras e trabalhadores brasileiros pensam sobre clima, trabalho e transição justa?
Para responder a essa pergunta, Aurora Lab e More in Common realizaram, entre maio e setembro de 2025, uma pesquisa de percepção em 9 capitais brasileiras. Foram 2.630 entrevistas presenciais estruturadas, conduzidas em pontos de circulação pública de Belém, Brasília, Fortaleza, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, no período em que a Caravana do Futuro percorreu o país.
A pesquisa parte da constatação de que a crise climática já é uma questão do trabalho, com consequências diretas sobre custo de vida, saúde física e mental, acesso ao trabalho e renda. Os dados confirmam que 85% das pessoas entrevistadas já sentem esses impactos no cotidiano. A classe trabalhadora reconhece o problema e espera por transformação.
Os achados revelam também que 93% das pessoas entrevistadas concordam que a sociedade precisa mudar a forma de produzir e consumir para enfrentar a crise climática. O desafio, portanto, já não é convencer sobre a necessidade de mudança. É disputar como essa mudança acontece e para quem ela será construída.
Há otimismo com as oportunidades geradas pela transição, mas também um ceticismo persistente sobre a distribuição de seus benefícios. E uma clareza sobre quem deve liderar o processo: 7 em cada 10 pessoas esperam que o Estado brasileiro garanta a proteção de trabalhadoras e trabalhadores nesse caminho.
Falar de clima é falar de trabalho, renda e dignidade. Construir uma transição justa exige ouvir quem já sente seus impactos no cotidiano.